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China executa 11 da “máfia do Bitcoin” que explorou brasileiros

A China tomou uma decisão drástica nesta quinta-feira (29): executou onze membros da famosa família Ming, uma organização criminosa atuante na fronteira com Mianmar. Esse grupo ficou conhecido por operar o que muitos chamam de “ciberescravidão”, gerando preocupação em diversas partes do mundo.

Esses criminosos exploravam trabalho forçado para aplicar golpes financeiros online. Entre as fraudes que administravam, estavam esquemas envolvendo criptomoedas, jogos de azar ilegais e o famoso “abate de porcos”, nome dado a uma tática específica de engano.

Esta sentença veio na sequência de uma condenação decidida em setembro por um tribunal na província de Zhejiang. Os crimes que pesaram contra eles incluíram homicídio, cárcere privado e fraudes. A condenação é uma resposta direta do governo chinês, mostrando que eles estão dispostos a tomar medidas severas contra esses delitos.

Os Mings controlavam a cidade de Laukkaing, em Mianmar, transformando uma região empobrecida em um grande centro de cassinos e prostituição, tudo isso protegido por milícias locais. A estrutura do grupo começou a desmoronar no final de 2023, quando a China decidiu apoiar uma ofensiva rebelde que capturou a cidade e entregou os membros da organização a Pequim.

Isso serve como um aviso para outras quadrilhas que operam na região, mas ainda restam muitos membros da família Ming livres e continuando suas atividades criminosas. Após a queda deles, parte dos golpes se deslocou para outros países que têm menos influência da China, buscando continuar com seus esquemas.

Brasileiro reconheceu torturador entre os condenados

Essa notícia repercutiu no Brasil, especialmente para Phelipe de Moura Ferreira, um jovem de 26 anos que sobreviveu a um desses campos de concentração digital. Ele reconheceu um dos executados como seu torturador.

Em uma entrevista ao G1 em outubro de 2025, Phelipe contou que o chefe do complexo onde foi mantido refém por três meses, em 2024, era um dos membros da família Ming. “Eu conversei com ele. Ele me agrediu e agrediu meu amigo Luckas várias vezes”, explicou. Para Phelipe, a condenação representa muito mais do que uma simples notícia, é “um marco na busca por Justiça”.

Esse caso revela um problema alarmante: a busca por emprego online, que levou brasileiros a se tornarem vítimas de tráfico humano e serem forçados a trabalhar em condições análogas à escravidão, aplicando golpes para liberdade e sobrevivência.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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